5 erros comuns na hora de formar um pasto

Escrito Por Fabrício Tillmann

17 / 08 / 2020

Quem cria gado sabe o quanto custa e dá trabalho formar uma pastagem do zero, e sabe ainda mais quanto é ruim quando algo não ocorre como o previsto e o pasto não forma direito ou não dura muito.
Por esse motivo, aqui estão 5 erros que você não pode cometer na hora de formar ou reformar sua nova área de pasto:

1- Iniciar os trabalho após o início das chuvas

Da mesma forma que uma lavoura de cultura anual (Milho, soja, algodão, etc.) possui uma janela de plantio que deve ser rigorosamente respeitada, a formação de pasto também precisa ser planejada e executada com o mesmo rigor, alcançando assim maiores chances de sucesso.

Em grande parte do Brasil, as chuvas duram entre 5 e 7 meses, se só começarmos a planejar uma formação ou reforma de pasto quando as chuvas já estão caindo na terra, até conseguirmos nos organizar, comprar os insumos, levar pra fazenda, preparar as máquinas e o pessoal, e finalmente semear, já se foi a melhor época para um plantio eficiente.

 

 

 

 

Foto: Fabrício Tillmann

Neste caso, quando as sementes estiverem germinando, os inços (ou plantas espontâneas) já estarão rebrotando, e muito provavelmente irão atrapalhar o crescimento da sua forrageira. Além disso, se a planta ainda estiver no seu estado jovem quando a seca chegar, ela terá poucas reservas em suas raízes para resistir à toda estação seca e ainda rebrotar com as próximas chuvas.

O ideal é que, ao iniciar as chuvas, o terreno já esteja preparado e corrigido, para que se aproveite toda a estação para máximo crescimento e estabelecimento da espécie forrageira implantada.

2 – Semear um pasto sem conhecer e corrigir o solo

Quando se trata de formar pastagens com objetivo de produzir e obter bons resultados, a primeira coisa que se deve conhecer é exatamente onde você está colocando as sementes. Uma terra com pH abaixo de que 6,0 e com baixa saturação de bases, faz com que as plantas tenham dificuldade de se fixarem, principalmente pelo bloqueio na absorção de nutrientes causado pelo Alumínio presente no solo.

A análise de solo permite também saber quais nutrientes se encontram em baixa concentração, podendo ser limitantes para a produtividade esperada do pasto a ser cultivado, principalmente quando a meta é maior.

Além disso, é importante saber qual tipo de solo você está trabalhando, se ele é argiloso, siltoso, arenoso, quanta matéria orgânica possui, etc., isso se obtém com a análise do solo, feita em laboratório.

Por isso, quando for realizar uma análise de solo para implantar uma pastagem, é importante que se peça a análise física (composição mineral), e na análise química pelo menos os seguintes itens: pH, Matéria Orgânica (MO), Fósforo (P), Potássio (K), Cálcio (Ca), Magnésio (Mg), Alumínio (Al) Enxofre (S), Capacidade de Troca de Cátions (CTC), Saturação de Bases (V%) e se possível, micronutrientes.

Com estes itens, é possível se determinar exatamente o que fazer para não desperdiçar nenhum centavo na hora de formar sua pastagem. E o mais importante: A análise de solo custa uma insignificante porcentagem do que pode custar uma plantação perdida por motivo desconhecido.

Após a análise de solo, é muito importante que um profissional capacitado analise os resultados e faça a recomendação da correção do solo, e mais importante ainda que se faça a correção conforme o recomendado para obtenção de bons resultados. Estas recomendações devem estar alinhadas ao objetivo do produtor, levando em consideração qual a meta de produção e aproveitamento do pasto será obtida, caso contrário, desperdiçamos recursos e contaminamos o meio ambiente.

3 – Escolher uma espécie forrageira inadequada

Quantas vezes você já ouviu a frase: “Lançaram uma cultivar de planta forrageira que se dizia ser muito boa, porém algumas pessoas plantaram e não tiveram bom resultado, então ela é ruim” ?

Pois é, algumas vezes este erro acontece. Além de plantar da forma correta, é imprescindível que se escolha a espécie e a cultivar adequada para cada ocasião, esta escolha dependerá de vários fatores, como: Clima, topografia do terreno, tipo de solo, disponibilidade de água, drenagem, sistema de manejo a ser utilizado, intensidade de uso e reposição de nutrientes, incidência de ataque de pragas na região, e assim por diante. Mas o que determina o sucesso dela no final é o manejo que se utiliza.

 

 

 

 

Foto: IEPEC

Desta forma, a correção daquela comum frase é: “Toda cultivar de pastagem é boa, cada uma para a situação que melhor se adapta”, ou seja, depende de como e onde você trabalha com a forrageira, ela responderá de forma diferente.

Vale ressaltar que quanto maior produtividade e qualidade nutricional uma cultivar promete, mais exigente em nutrientes e manejo ela é.

4 – Não enterrar ou enterrar a semente a uma profundidade excessiva

No momento do plantio, cada tipo de semente necessita ser enterrada no solo em uma profundidade adequada.
Quando enterrada muito profundamente, seja com a grade ou com plantadora, a semente necessita de toda sua energia para que a muda consiga apenas sair do chão, porém, quando consegue, já possuirá pouca energia para continuar seu desenvolvimento até ter folhas suficientes para fazer fotossíntese.

Torrões, pedras e outros objetos como pedaços de madeira e até mesmo uma camada muito grande de palha podem atrapalhar o desenvolvimento das mudas.
Já quando colocadas muito rasas, ou quando a semente não é enterrada, estas ficam expostas ao sol, o que ocasiona morte do embrião por excessiva desidratação ou até mesmo “cozimento”, ficam também expostas ao ataque de pássaros, formigas e outros animais que consomem as sementes, além de não possibilitar o contato solo-semente necessário para um bom desenvolvimento de raízes.

 

 

 

 

Foto: Fabrício Tillmann

5 – Não fazer o pastejo de formação

O antigo conceito de que se deve plantar, esperar que a planta lance sementes e só depois colocar animais é na maioria dos casos, errado.

Sessenta a noventa dias depois do plantio, normalmente as plantas já deverão ter se desenvolvido com certo vigor, e não só podem, como devem ser despontadas pelos animais, com dois principais objetivos: evitar o acamamento e estimular o perfilhamento, ou brotação lateral da forrageira.

Mas muito cuidado, não é simplesmente colocar os animais e deixar que façam o serviço. Deve-se escolher a categoria e a quantidade de animais correta para realizar este manejo, normalmente utilizamos animais leves, como bezerros pós desmama, em uma lotação instantânea alta, por um curto período de tempo.

Por fim, depois de formado o pasto, deve-se manejá-lo de forma a se obter o máximo dos “3 Cês”: Crescimento, Colheita e Conversão, respeitando as 4 leis do pastoreio racional, consegue-se aumentar, a cada ano a produtividade e a fertilidade natural do solo, tornando seu pasto perene e lucrativo por muitos anos.

Agora você já sabe cinco itens básicos que não pode errar daqui pra frente.

Se você planeja formar ou reformar seus pastos, conte com nossa consultoria para planejar te orientar neste e em outros processos importantíssimos para o sucesso da Pecuária do século 21.

#SistemaVoisin
#ConsultoriaPecuaria
#PecuariaSustentável
#PecuariaDoSeculoXXI

Você também pode gostar…

As 4 Leis do Pastoreio Racional

As 4 Leis do Pastoreio Racional

André Sorio, Eng. Agrônomo, M.Sc. O Pastoreio Racional foi concebido e descrito por André Voisin - bioquímico e...

Sistemas de Pastoreio

Sistemas de Pastoreio

Se uma propriedade quiser manter e alimentar grande quantidade de animais é necessário que consiga obter alta produção...

0 comentários

Enviar um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Abrir Whatsapp
Precisa de consultoria?
Clique abaixo e marque uma reunião com a gente.