Sistemas de Pastoreio

Escrito Por Fabrício Tillmann

20 / 07 / 2020

Se uma propriedade quiser manter e alimentar grande quantidade de animais é necessário que consiga obter alta produção de forragem por hectare.

André Sorio, Eng. Agrônomo, M.Sc.

Assim, deve adotar práticas de manejo de pastagens que permitam a utilização máxima da energia solar e o correto suprimento de nutrientes a partir do solo para o crescimento dos pastos e sua conversão em produtos de valor econômico: carne, leite e lã principalmente.

Para realizar adequadamente o manejo de pastagens é fundamental que se entenda alguns fatores que influem na taxa de crescimento da planta, especialmente após a desfolha pela boca do ruminante.

Após a folha ser consumida, a energia necessária para a produção de nova brotação é proveniente da fotossíntese nas folhas remanescentes e das reservas acumuladas nas raízes e pontos de crescimento. As reservas orgânicas são mais tão mais necessárias quanto menor for a área foliar ativa remanescente, seja por grande percentual de consumo pelos animais, seja por serem folhas velhas ou secas.

Resultados de pesquisa demonstram, e as observações práticas confirmam, que desfolhas frequentes e intensas de plantas forrageiras sem o adequado descanso posterior resultam em redução progressiva na produtividade da pastagem. Basicamente, isto se deve à diminuição da capacidade de restabelecimento dos níveis originais de reservas orgânicas da planta.

Segundo RODRIGUES & RODRIGUES, (1987), para melhor aproveitar as características de crescimento das forrageiras, o especialista em manejo de pastagens deve manejar as plantas com o objetivo de obter uma série de rebrotas sucessivas, com o máximo de produção de forragem em cada uma. Neste contexto, o conhecimento da reação das plantas à desfolha é básico para se realizar o manejo que propicie a maximização da produtividade das forrageiras com elevado valor nutritivo e que permita o ajuste do crescimento das forrageiras às necessidades dos animais, sem comprometer a perenidade da pastagem.

Para compreender o tema em debate, aportamos algumas explicações sucintas sobre os sistemas de pastoreio usados na pecuária, que ao fim e ao cabo são apenas 2 – contínuo e intermitente. SMETHAN (1981) define assim cada um deles:

Pastoreio Contínuo: Implica em adaptar a capacidade de carga ao crescimento da pastagem. Como a capacidade de carga em qualquer estabelecimento tende a ser conservadora, as áreas submetidas a pastoreio contínuo tendem a ser sobrepastoreadas durante a seca e subpastoreadadas durante a estação chuvosa.
Quando a oferta de forragem excede os requerimentos, os animais são sempre seletivos, tendendo a pastorear as espécies e partes mais palatáveis e deixar as menos palatáveis. O pastoreio seletivo ocorre quando a carga animal é demasiadamente baixa para fazer frente à massa verde produzida, mal que só pode ser evitado aumentando-se a carga e ajustando-a continuamente durante o pastoreio, o que na prática não é realizado por sua dificuldade operacional.

Pastoreio Intermitente: O verdadeiro pastoreio rotativo foi definido por André Voisin. Este método consiste em períodos de pastoreio suficientemente curtos, de modo que não haja rebrote disponível para pastorear e, por conseguinte, as plantas não se esgotem. Por sua vez o período de descanso é suficientemente longo de modo a permitir o acúmulo de reservas nas raízes e base dos colmos das plantas.

O Pastoreio Intermitente pode adotar tempos fixos de descanso dos pastos ou tempos variáveis de descanso, conforme o clima varia ao longo do ano. A este último método chama-se de sistema Voisin.

O sistema Voisin pode ser considerado o extrato mais avançado dos sistemas de pastoreio rotativo. O sistema já foi implantado com sucesso em milhares de propriedades espalhadas por todos os estados brasileiros. E ele tem aplicação universal, pois se baseia em leis da natureza, que funcionam em todos os lugares, independente do clima ou da fertilidade do solo. (MELADO, 2002).

Concorda? Discorda? Mande sua mensagem, pois este espaço terá mais valor se for também um canal de debate. Boa semana pra você!

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Referências Bibliográficas

MELADO, J. Manejo sustentável de pastagens. Brasília, Embaixada da Itália, 2002. 112 p.

RODRIGUES, L.R.A & RODRIGUES, T.J.D. Ecofisiologia de plantas forrageiras. In: CASTRO, P.R.C. et al. Ecofisiologia da produção agrícola. Piracicaba, Potafós, 1987. 249 p.

SMETHAN, M.L. Manejo del pastoreo. In: LANGER, R.H.M. Las pasturas y sus plantas. Montevideo, Hemisferio Sur, 1981. p.57-103

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